Um novo espectador na era digital*

Interactividade e arte digital

Helio-Oiticica-Museu-e-o-Mundo-21-de-dezembro-2010-exposicao-no-Museu-Nacional-Honestino

 

A tecnologia computacional na pós-modernidade passou a integrar quase todas as áreas do quotidiano da vida globalizada. Entre elas, a própria arte.

Arte interativa, ciberarte, arte tecnológica, arte mediática, multimedia (…). O conceito possui diferentes nomes e definições. Contudo pode-se afirmar que praticamente todas as definições as descrevem como uma arte onde o espectador é convidado a interagir com uma máquina ou interface tecnológica.

Pensar na arte digital como uma nova categoria da arte requer um entendimento da história recente, à vista da expansão das noções de arte, de criação e de estética, visto que no decorrer do último século verificou-se um deslocamento de funções em vários campos das artes.

Surgiu uma revolução do pensamento na qual o indivíduo passou de observador/contemplador para um ser que estabelece uma ligação ativa e criadora.

O fenómeno que é a diluição da fronteira entre a obra de arte e o espectador, deve-se à procura da arte de posicionar o espectador como o seu elemento primordial, tendo um impacto muito forte na definição do papel do artista e na relação que tem com a sua própria criação.

O aumento da participação do espectador e a inserção da arte na realidade quotidiana encontraram no universo digital um aliado fundamental para a constituição do que é hoje denominado arte interativa.

Analisando o trabalhado de Hélio Oiticica, um artista experimental e performativo, ele iniciou no seu trabalho a busca pela participação do público, de modo a este se tornar uma extensão da obra artística. Desta forma, a arte passa do estado de contemplação para afetar os comportamentos, tendo uma dimensão ética, social e política. Outros artistas lhe seguiram nesta busca de uma nova relação com a sua obra, alterando a nossa perceção do papel do espectador e da obra de arte.

Atualmente são muitos os artistas que exploram a interatividade da arte e a sua relação com o ser humano recorrendo a processos digitais. Expressões como “interatividade”, “interação”, “tempo real”, “virtual”, etc, são agora termos adotados pelos artistas.

As relações entre arte e tecnologia, com o seu carácter progressivo, aceleraram com a evolução das configurações computacionais. Os processos promovidos pela interatividade tecnológica resultam numa relação homem-máquina.

Um momento marcante para este movimento é a exposição de 1968 Cybernetic Serendipity em Londres, onde se expõem pela primeira vez obras criadas com a ajuda do computador e onde surgem as questões: “Pode o computador criar obras de arte?” “As obras criadas com a ajuda da informática possuem um valor estético?”

* Este artigo foi originalmente publicado na revista online Wall Street International Magazine [08/12/2017]

Imagem: «Hélio Oiticica: Museu é o Mundo» (21 de dezembro 2010), exposição no Museu Nacional Honestino Guimarães, Brasília

[English version]

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